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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Relato de um parto...

... contado, hoje! Na véspera do GRANDE DIA...


Às 6h30 da manhã, do dia 24 de Outubro, grávida de 37 semanas e 6 dias, entramos (pai e eu) na clínica para começar a indução do parto da Sofia. Foi induzido por diversas razões que reservo para um outro post.
Cerca de 20 min depois de lá termos chegado, fomos levados para o quarto de partos. Sim, chamo quarto e não sala, porque tudo se assemelhava a um verdadeiro quarto, diferenciando apenas alguns dos equipamentos que lá estavam. O quarto era muito bem decorado, em tons pastel e quadros de mulheres grávidas, outras a amamentar, tudo bem escolhido e cuidado.
Enquanto vestia a bata, veio a Enfermeira-Chefe apresentar-me a enfermeira-parteira que me acompanharia durante o parto todo (na clínica onde a Sofia nasceu, esse é o procedimento. Não há cá montes de mãos a mexerm-nos!), era a Enfermeira Pacience, a quem tenho muito a agradecer, pelo carinho e calma que me transmitiu durante o parto.

Eram 7h35, o Dr.Pieter Steyn entrou no quarto, cumprimentou-me e explicou-me qual o procedimento que ia seguir. Não ia começar logo com “drogas” pois como eu já tinha o colo muito curto e 3 dedos de dilatação, não se justificava. Exactamente, às 7h40, ele rebentou-me a bolsa de água artificialmente, sendo que apenas senti aquela água quente a aquecer-me as pernas. O obstetra fez logo outro toque e eu estava, surpreendentemente, com 5 dedos de dilatação. Disse-me logo, que não ia demorar muito e perguntou-me se tinha a certeza que não queria levar a epidural porque tinha que ser naquele momento.
Garanti-lhe que não, que já chegava ter rebentado as águas artificialmente, que queria sentir tudo, (nunca tive medo do parto. Sempre pensei que se desde que o mundo é mundo as mulheres pariam, eu não ia ser nem a primeira, nem a última).

Levantei-me, comecei a andar e a conversar com o meu marido, que não me largou um só momento, e por volta das 9h, comecei a ter muitas dores. Mantive-me em pé e a cada contracção, segurava-me na cama. Por volta dessa altura, tinha contracções a cada 5 minutos. Às 9h30, o médico voltou para me observar e já tinha 8 dedos de dilatação. Nessa altura ainda me aguentava, embora as contacções já só tivessem intervalos de ¾ minutos.
Continuei a andar, até que às 10h30, deitei-me já não aguentando a violência das dores. Já batia em tudo com muita força, inclusive no ombro do papá, que coitado não tinha culpa nenhuma pois até ajudou-me bastante com as massagens que ia fazendo no fundo das costas. Isso aliviava-me imenso as dores.
Às 10h40, chamei a enfermeira e disse-lhe que precisava ir à casa-de-banho porque estava muito aflita. Não sabia eu que já estava perto da hora. Ela fez-me o toque e estava com 10 dedos de dilatação. Três horas depois de rebentadas as águas, tinha a diltação completa. Ela chamou o médico e quando fez o toque, viu que a Sofia tinha voltado a subir. Ou seja, embora tivesse a dilatação feita, ela já não estava bem encaixada. Segundo ele, tal também se deveu ao facto de eu ter um canal extremamento estreito. Fui fazendo força, até que às 11h10, ele pega na ventosa para encaixar a Sofia mas diz-me: “não vou ser eu a pôr a tua filha cá fora, tens que ser tu a fazê-lo. E se não o fizeres rapidamente, vamos para uma cesariana”. Eu, que tenho medo de salas de operações, lá me pus quase sentada, com o meu marido a apoiar-me as costas, fiz força 3 vezes e ás 11h20, daquele dia solarengo, nasceu a minha boneca, com 2,690kg e 52cm!!!!

O obstetra pegou nela, embrulhou-a e disse ao meu marido: “Cuida da tua filha, que eu agora vou cuidar da tua mulher”. E a Sofia foi para um canto do quarto com o pai e a enfermeira, para ficar naquela luz de aquecimento e levar oxigénio, enquanto o médico fazia-me o “corte e costura” da praxe. Não me lembro de sentir grande coisa, só lembro de perguntar ao meu marido se ela estava bem e se era perfeita. O meu marido só dizia com a voz embargada “ela é linda, linda, linda”...

Passado um bocadinho, o meu marido trouxe-me a Sofia a chorar imenso... pô-la no meu braço e eu senti-me completa, viva, renascida... abracei-a e disse: “Olá filha, sou eu, não chores”! E nesse momento acreditei em tudo que me tinham falado sobre o milagre da maternidade pois a minha filha acalmou logo de seguida!

Deixo-vos a nossa primeira fotografia!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

E com a proximidade do grande dia...

... tenho muita dificuldade em escrever. Embora tenha diversos posts em draft, nenhum me parece adequado para exprimir o que me vai na alma, o turbilhão de emoções que vai cá dentro, o reviver daqueles últimos dias em que a tive dentro de mim!

Sim, admito. Sou uma lamechas de primeira linha quando o assunto é ela, a verdadeira dona do meu coração!

Hoje, deixo-vos com a fotografia do bolo do baptizado, fez ontem um aninho...

Beijinhos

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

17 de Setembro de 2007

Há dois anos atrás, estava grávida de 32 semanas e 3 dias, e fui internada pois estava em risco de entrar em trabalho de parto prematuro!

Por estas bandas, é habitual as pessoas que tenham uma situação financeira razoável ir ao médico na cidade de Nelspruit, na vizinha África do Sul, a 200km de Maputo, onde vivo!
E agora vão vocês pensar: "Bem, mas então não há médicos em Maputo e hospitais?". Há médicos e hospitais, só que os hospitais sul-africanos encontram-se ao mesmo nível que grandes hospitais europeus. O que não acontece em Moçambique. Então, se há acesso a melhor tecnologia e cuidados médicos, o que são 200km? Aliás, digo-vos que amigas minhas que tiveram filhos em Portugal e depois tiveram na África do Sul, hoje falam muito mal dos cuidados hospitalares portugueses...

Bem, mas passando adiante, eu sou daquelas pessoas que vai a África do Sul para cuidados médicos, sempre que se justifique. E, na nossa opinião (do meu marido e minha) justificava-se durante a gravidez.

Então, no dia 17 de Setembro de 2007, saímos de Maputo por volta das 7h, e às 10h, estávamos em Nelspruit. Chegados, fomos tomar café, e por volta das 10h30 entrávamos no Consultório Médico. Fui logo atendida e o obstetra perguntou-me como tinha passado desde a última consulta. Disse-lhe que não andava bem, pois tinha dores na região pélvica, sentindo mesmo como se tivesse a vagina a abrir. Quando lhe digo isso, o meu obstetra demostrou ficar imensamente preocupado (e eu também fiquei preocupada porque ele não é de demonstrar emoções).
Mandou-me deitar na marquesa, fez-me o toque e deu-me logo o diagnóstico: risco de entrar em parto prematuro a qualquer momento. Colo do útero dilatado, muito mole, 2 dedos de dilatação, sendo que ele chegou a sentir a cabeça da minha Sofia.
Bem, comecei a chorar, fiquei com medo! Por ela, por mim...
O médico levantou-se, telefonou para clínica para marcar um quarto e colocou-me o CTG que acusava várias contracções, com picos muito altos. Depois do CTG fui para a clínica, levei umas injecções para acelerar o crescimento da Sofia, e comecei a fazer medicação para parar as contracções.
Fiquei na clínica 2 dias, praticamente sozinha porque o meu marido teve que voltar para Maputo porque tinhamos a escritura da nossa casa marcada para o dia 18/09.
Dia 19/09, saí da clínica e fui para uma Pousada na cidade de Nelspruit, estava expressamente proibida de voltar para Maputo, de fazer qualquer esforço, e só me podia levantar para ir à casa-de-banho. Mas o pior foi estar sozinha e a fazer aquela medicação horrenda. Tinha que tomar 8 comprimidos por dia.
Entretanto, o meu marido ia e vinha de Maputo para Nelpruit, chegando a fazer a viagem 23 vezes (ele não podia deixar o trabalho completamente), até a Sofia nascer...
Foi uma fase difícil, praticamente sozinha, distante de casa, sem poder acabar de preparar tudo para a chegada da minha menina.
Mas, foi também uma fase muito boa, que me obrigou a parar, a descansar, a viver cada minuto daquela gravidez tão desejada, foi o período que mais cantei para minha barriga "Fico assim sem você", da Adriana Calcanhoto...

E hoje, quando olho para trás, penso que poderia ter sido pior! Que até passou depressa, e que no final tive uma filhota linda nos braços....