quarta-feira, 16 de setembro de 2009

17 de Setembro de 2007

Há dois anos atrás, estava grávida de 32 semanas e 3 dias, e fui internada pois estava em risco de entrar em trabalho de parto prematuro!

Por estas bandas, é habitual as pessoas que tenham uma situação financeira razoável ir ao médico na cidade de Nelspruit, na vizinha África do Sul, a 200km de Maputo, onde vivo!
E agora vão vocês pensar: "Bem, mas então não há médicos em Maputo e hospitais?". Há médicos e hospitais, só que os hospitais sul-africanos encontram-se ao mesmo nível que grandes hospitais europeus. O que não acontece em Moçambique. Então, se há acesso a melhor tecnologia e cuidados médicos, o que são 200km? Aliás, digo-vos que amigas minhas que tiveram filhos em Portugal e depois tiveram na África do Sul, hoje falam muito mal dos cuidados hospitalares portugueses...

Bem, mas passando adiante, eu sou daquelas pessoas que vai a África do Sul para cuidados médicos, sempre que se justifique. E, na nossa opinião (do meu marido e minha) justificava-se durante a gravidez.

Então, no dia 17 de Setembro de 2007, saímos de Maputo por volta das 7h, e às 10h, estávamos em Nelspruit. Chegados, fomos tomar café, e por volta das 10h30 entrávamos no Consultório Médico. Fui logo atendida e o obstetra perguntou-me como tinha passado desde a última consulta. Disse-lhe que não andava bem, pois tinha dores na região pélvica, sentindo mesmo como se tivesse a vagina a abrir. Quando lhe digo isso, o meu obstetra demostrou ficar imensamente preocupado (e eu também fiquei preocupada porque ele não é de demonstrar emoções).
Mandou-me deitar na marquesa, fez-me o toque e deu-me logo o diagnóstico: risco de entrar em parto prematuro a qualquer momento. Colo do útero dilatado, muito mole, 2 dedos de dilatação, sendo que ele chegou a sentir a cabeça da minha Sofia.
Bem, comecei a chorar, fiquei com medo! Por ela, por mim...
O médico levantou-se, telefonou para clínica para marcar um quarto e colocou-me o CTG que acusava várias contracções, com picos muito altos. Depois do CTG fui para a clínica, levei umas injecções para acelerar o crescimento da Sofia, e comecei a fazer medicação para parar as contracções.
Fiquei na clínica 2 dias, praticamente sozinha porque o meu marido teve que voltar para Maputo porque tinhamos a escritura da nossa casa marcada para o dia 18/09.
Dia 19/09, saí da clínica e fui para uma Pousada na cidade de Nelspruit, estava expressamente proibida de voltar para Maputo, de fazer qualquer esforço, e só me podia levantar para ir à casa-de-banho. Mas o pior foi estar sozinha e a fazer aquela medicação horrenda. Tinha que tomar 8 comprimidos por dia.
Entretanto, o meu marido ia e vinha de Maputo para Nelpruit, chegando a fazer a viagem 23 vezes (ele não podia deixar o trabalho completamente), até a Sofia nascer...
Foi uma fase difícil, praticamente sozinha, distante de casa, sem poder acabar de preparar tudo para a chegada da minha menina.
Mas, foi também uma fase muito boa, que me obrigou a parar, a descansar, a viver cada minuto daquela gravidez tão desejada, foi o período que mais cantei para minha barriga "Fico assim sem você", da Adriana Calcanhoto...

E hoje, quando olho para trás, penso que poderia ter sido pior! Que até passou depressa, e que no final tive uma filhota linda nos braços....

3 comentários:

  1. depois venho ler tudoooooo com mais calma ok?
    bjinhos e muitos parabéns á princesinha linda!
    bjs
    paula

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  2. Oh amiga,

    que momentos difíceis passáste. :(
    imagino a tua angústia.

    Sozinha, longe de casa ...

    Mas tb teve a sua parte boa, pois o teu tempo era inteiramente dedicado às duas!!!

    E hoje tens uma linda menina :)


    Beijinhos grandes e um óptimo FDS amiga

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  3. De facto foi uma fase muito dificl para nós, mas por outro lado tambem descubrimos que deve mesmo haver transmissão de pensamentos. Muitas foram a vezes que nao estando lado a lado sabiamos o que estavamos a pensar.... E as nossas musicas??? e as nossas chamadas pela estrada fora que eu sempre sabia... " ela deve estar a ligar para saber onde estou?" FOI dificl mas foi "nosso", sem mais ninguem

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